declamei,
atirei frases em volta.
cega de angústia e de revolta.foi em meu nome que fiz,
a carvão, a sangue, a giz,
sátiras e epigramas nas paredes
que não vi serem necessárias e tu vês.
foi quando compreendi
que nada me dariam do infinito que pedi,
que ergui mais alto o meu grito
e pedi mais infinito !
eu, o meu rico de baixas e grandezas,
eis a razão das épi-trági-cómicas empresas
que, sem rumo,
levantei com sarcasmo, sonho, fumo ...
o que buscava
era, como qualquer, ter o que desejava.
febres de mais, ânsias de altura e abismo,
tinham raízes banalíssimas de egoísmo.
que só por me ser vedada,
sair deste meu ser formal e condenado,
erigi contra os céus e o meu imenso engano
de tentar o ultra-humano, eu que sou tão humana.
sofro, assim, pelo que sou,
sofro por este chão que aos pés se me pegou,
sofro por não poder fugir.
sofro por ter prazer em me acusar e me exibir !
se os gestos e as palavras que sonhei,
nunca os usei nem usarei,
se nada do que levo a efeito vale,
que eu me não mova ! que eu não fale !
mas o meu sonho megalómano é maior
do que a própria imensa dor
de compreender como é egoísta
a minha máxima conquista ...
sim, descerá da tua mão compadecida,
meu Deus em que não creio ! e porá por fim à minha vida.
e uma terra sem flor e uma pedra sem nome
saciarão a minha fome.


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